Retornei na sexta-feira (2/9) às minhas funções na Universidade Estadual de Maringá (UEM). Na semana anterior, o prédio da reitoria havia sido ocupado pelos estudantes.

Não me deterei nos motivos pelos quais os estudantes realizaram tal ato, nem nos resultados obtidos (construção de novos blocos e finalização dos blocos já iniciados, abertura de concursos, verbas para término da Casa do Estudante, construção do RU 2 e RU nas extensões, entre outros), que acredito venham beneficiar diretamente toda comunidade acadêmica, mas o que me chamou muito a atenção foi a capacidade organizacional e operacional do movimento.

Segundo informações deste mesmo jornal, houve uma concentração de cerca de duas mil pessoas nesse período e nada ocorreu que pudesse prejudicar a imagem desse movimento, ou seja, aquilo que se costuma ouvir pela mídia como sendo baderna ou arruaça, nada disso foi visto.

Os estudantes demonstraram a capacidade de gerir a ocupação de modo lúcido, sensato e coerente. Confesso que eu e meus colegas servidores técnicos ficamos impressionados com fato de os estudantes terem conseguido operar os equipamentos da Rádio UEM FM sem o auxílio de nenhum servidor e sem que houvesse quaisquer danos à rádio e aos seus bens materiais. Estava tudo, desde o mais simples objeto, no mais perfeito estado.

Tenho notado que aos poucos o movimento estudantil vem demonstrando sua força nas mais diversas regiões do Brasil. Essa ocupação, por exemplo, não é a primeira e nem será a ultima. Ano retrasado acompanhamos a ocupação da reitoria da Universidade de Brasília (UnB) e no ano anterior outra ocupação teve como desfecho a renúncia de seu reitor diante das provas apresentadas contra ele.

Tudo isso me parece bastante curioso, pois há pouco tempo o movimento estudantil parecia adormecido, salvo raras exceções, como foi o caso dos caras pintadas no impeachment do ex-presidente Fernando Collor.

Sabemos que, historicamente, os estudantes foram protagonistas de muitas reivindicações, inclusive durante o golpe militar. Mas o que pensar do ocorrido aqui em nossa universidade? Terá sido um fato isolado ou podemos relacionar essas atividades a outras de que temos noticias? São perguntas que deixo aos nossos historiadores e sociólogos.

De minha parte quero apenas ressaltar a inteligência e a coragem de todos os presentes na ocupação, que ousaram colocar-se no lugar onde se tomam todas as decisões pertinentes à instituição.

Esse fato, que não é pouco, significou uma transferência de poder, do reitor aos estudantes. Dito de outro modo, a lição que os estudantes da UEM nos deram foi o exercício pleno e legítimo de instituição democrática.

Aguinaldo Cavalheiro
Funcionário da UEM-FM

http://www.odiario.com/opiniao/noticia/487633/ocupacao-da-reitoria-da-uem-e-a-forca-do-movimento-estudantil/